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VI. Perspectivas Econômicas para o Caribe e Questões de Integração

Author(s):
International Monetary Fund. Western Hemisphere Dept.
Published Date:
November 2007
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Evolução recente e perspectivas econômicas

O Caribe tem apresentado um desempenho robusto em termos de crescimento e as perspectivas continuam favoráveis. No ano passado, o PIB regional aumentou em 5,5 por cento — o ritmo mais acelerado em mais de duas décadas.22 Os quadros de política mais sólidos e o ambiente externo favorável criaram as bases para a recuperação desde 2001, quando as receitas do turismo tiveram uma queda acentuada após os eventos do 11 de setembro. Em termos futuros, o crescimento deverá sofrer uma desaceleração moderada, como reflexo do fim das atividades relacionadas à Copa do Mundo de Críquete e o retorno das receitas do turismo ao seu nível normal após 2006, quando os turistas foram desviados para o Caribe por causa do furacão que assolou os destinos turísticos no México. Com a perspectiva externa ainda amplamente favorável, espera-se que o crescimento no Caribe continue acima dos padrões históricos, com o PIB regional crescendo em torno de 4 por cento em 2007 e 2008.

O fortalecimento das políticas macroeconômicas ajudou a conter a inflação. De modo geral, os países da região conseguiram limitar o impacto inflacionário dos choques na oferta de alimentos causados por desastres naturais e dos aumentos dos preços de importação de petróleo. A habilidade com que a Jamaica conduziu a sua política monetária resultou numa redução da inflação dos preços ao consumidor, que passou de 19 por cento em setembro de 2005 para menos de 6 por cento ao final de 2006. Da mesma forma, a inflação na República Dominicana, que havia se acelerado bastante após a crise bancária de 2002– 03, foi revertida, uma vez que as autoridades retomaram o controle sobre os agregados monetários. A inflação, porém, tem continuado a ser fonte de preocupação em Trinidad e Tobago, onde um choque positivo nas relações de troca e o rápido crescimento do investimento público ocasionaram o surgimento de limitações da capacidade. O balanço final é que a inflação média no Caribe deve subir ligeiramente para 5 por cento em 2007 e, em seguida, recuar no médio prazo.

Crescimento do PIB Real

(Variação percentual anual)

Fonte: World Economic Outlook.

1/ Média não ponderada.

Crescimento do produto

(Em percentagem, taxa anual)

1995-20042005200620072008
MédiaProj.Proj.
Caribe 1/4.26.58.46.04.4
Bahamas3.32.53.43.14.0
Barbados2.24.13.94.22.7
República Dominicana5.29.310.78.04.5
Economias da ECCU 1/2.75.55.83.63.9
Guiana2.4−1.95.15.64.6
Haiti1.50.42.23.24.3
Jamaica0.51.42.51.42.0
Trinidad e Tobago7.78.012.06.05.8
Fontes: World Economic Outlook.

Ponderados pelo PIB (PPC)

Fontes: World Economic Outlook.

Ponderados pelo PIB (PPC)

Inflação

(Em percentagem, fim do período) 1/

1995-2004200520062007
MédiaProj.
Caribe 2/11.08.36.16.5
Bahamas1.71.22.32.6
Barbados2.57.45.64.9
República Dominicana13.07.45.06.0
Economias da ECCU 1/2.04.42.23.4
Guiana5.48.34.28.0
Haiti17.114.812.48.0
Jamaica11.512.95.88.9
Trinidad e Tobago4.27.29.18.0
Fontes: World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Taxas do fim do período, ou seja, de dezembro a dezembro. Essas taxas podem diferir das taxas médias de inflação do período citadas no World Economic Outlook, embora se baseiem em projeções subjacentes idênticas nos dois casos.

Ponderados pelo PIB (PPC)

Fontes: World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Taxas do fim do período, ou seja, de dezembro a dezembro. Essas taxas podem diferir das taxas médias de inflação do período citadas no World Economic Outlook, embora se baseiem em projeções subjacentes idênticas nos dois casos.

Ponderados pelo PIB (PPC)

Inflação

(Em percentagem; taxa anual no fim do período)

Fonte: World Economic Outlook.

1/ Média não ponderada.

Os países da região tiraram proveito da expansão econômica inicialmente para reforçar os saldos fiscais. Em média, os déficits tiveram uma melhoria de 4 pontos percentuais do PIB durante o período 2002–05, em decorrência de uma variada gama de iniciativas de política. Por exemplo, Dominica reestruturou seu sistema tributário e cortou sua folha de pagamentos após sua crise econômica de 2002–03, enquanto a Jamaica adotou um programa próprio e ambicioso de consolidação fiscal, no âmbito do qual foram implementadas várias medidas relativas à receita e à despesa durante o período 2003–04. Vários países caribenhos também iniciaram reformas tributárias, tais como a criação de um IVA, que ajudou a reforçar a arrecadação de receitas (Antígua e Barbuda, Dominica, Guiana e São Vicente e Granadinas). Além disso, os orçamentos têm-se mostrado mais resistentes a eventos adversos nos últimos anos, graças a reformas destinadas a aumentar a flexibilidade fiscal, tais como a criação de mecanismos para manter os preços internos do petróleo mais alinhados com os custos de importação. Mais recentemente, porém, as iniciativas fiscais perderam seu ímpeto em alguns casos. O superávit primário da Jamaica caiu em 2006 e gastos relacionados à Copa do Mundo de Críquete levaram os déficits a ampliarem-se nos países da União Monetária do Caribe Oriental (ECCU).

Saldo do Setor Público

(Em percentagem do PIB)

Fontes: World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

O panorama para o Caribe continuará a depender tanto de eventos externos como das reações na forma de políticas internas. A região é altamente suscetível a choques, e os riscos de deterioração têm aumentado em várias áreas. O Furacão Dean, que varreu o Caribe em agosto último, diminuiu as perspectivas de crescimento e aumentou o risco de inflação em vários dos países afetados (sobretudo Dominica, Jamaica e Santa Lúcia).

Saldo em transações correntes

(Em percentagem do PIB)

1995-20042005200620072008
MédiaProj.Proj.
Caribe 1/−3.4−0.3−0.4−1.0−0.6
Bahamas−10.1−14.3−25.4−21.1−16.5
Barbados−4.0−12.5−8.4−8.6−8.5
República Dominicana−0.9−1.4−3.2−3.4−2.3
Economias da ECCU 1/−15.9−19.8−24.9−22.0−20.6
Guiana−11.9−15.5−17.5−19.7−17.0
Haiti−1.11.80.62.11.5
Jamaica−5.9−11.2−11.1−10.9−10.8
Trinidad e Tobago2.223.825.619.717.2
Fontes: FMI, World Economic Outlook.

Balanço de transações correntes e PIB medidos em dólar.

Fontes: FMI, World Economic Outlook.

Balanço de transações correntes e PIB medidos em dólar.

Além disso, a atual volatilidade dos mercados financeiros internacionais pode vir a ter um impacto adverso sobre o crescimento global, prejudicando as perspectivas do turismo e de crescimento na região. O Caribe continua muito dependente, em particular, da evolução da economia da América do Norte, em virtude dos fortes vínculos estabelecidos por meio do turismo, remessas e fluxos de investimento estrangeiro. Assim, qualquer desaceleração da atividade econômica nos EUA terá um impacto adverso sobre as perspectivas de crescimento da região.

Dívida Pública

(Em percentagem do PIB)

É de suma importância realizar novos avanços na redução da dívida para aumentar a resistência a choques. Os processos de consolidação fiscal no início deste ciclo econômico, em combinação com as reestruturações de dívidas em alguns países, produziram um declínio nos coeficientes de endividamento a partir de 2003. Não obstante, os países caribenhos continuam a figurar entre os países mais endividados do mundo, sendo que alguns apresentam relações dívida/PIB bem superiores a 100 por cento. Com vistas ao futuro, a região continua empenhada em reduzir a dívida ainda mais. Por exemplo, em 2006 a ECCU reafirmou seu objetivo de reduzir a dívida pública para menos de 60 por cento do PIB em todos os seus países membros. Adotou-se um marco de referência revisto visando o cumprimento da meta até 2020, e os países da ECCU se comprometeram a estabelecer metas fiscais anuais consistentes com a aderência àquele marco. Da mesma forma, a Jamaica pretende definir uma meta mais elevada para o superávit primário deste ano.

Questões de integração regional

Historicamente, as economias caribenhas figuram entre as mais abertas do mundo. Isso permite que o Caribe colha os frutos da integração e globalização comercial, mas também cria desafios, sobretudo quando consideradas as dimensões reduzidas de muitos países da região. A cooperação regional pode ajudar a vencer muitos desses desafios. A combinação de recursos, por exemplo, ajuda a região a tirar proveito das economias de escala e distribuir o risco. Da mesma forma, a intensificação da colaboração regional possibilita ao Caribe competir de maneira mais eficaz pelo investimento estrangeiro produtivo e adaptar-se à evolução do comércio mundial.

Exportações mais Importações de Bens e Serviços

(Em percentagem do PIB)

Fonte: World Economic Outlook.

Atualmente, três áreas relacionadas à integração são altamente prioritárias: primeiro, a integração financeira regional, como meio de desenvolver e aprofundar os sistemas financeiros e, por extensão, aumentar o crescimento regional; segundo, os incentivos fiscais e investimentos, área em que a ação regional harmonizada é crucial para superar os problemas de ação coletiva; e terceiro, a formulação de estratégias para lidar com a erosão das preferências comerciais nos mercados de exportação da União Européia. O restante deste capítulo resume questões chave nessas áreas (para detalhes, ver Rodlauer et al., a ser publicado).

Integração financeira

A Comunidade do Caribe (CARICOM), criada em 1973 e atualmente formada por 15 países, procura integrar os mercados nacionais de capital por meio da eliminação das restrições à prestação de serviços financeiros e aos fluxos transnacionais de capital na região. O total dos ativos do setor financeiro da CARICOM é superior a 150 por cento do PIB regional e abrange setores bancário e não bancário expressivos. Além disso, o setor financeiro responde por cerca de 8 por cento do produto regional, acima da média de 7 por cento do G7. Os conglomerados financeiros regionais desempenham um papel importante no Caribe, e os ativos combinados dos nove maiores quase equivalem ao PIB regional. O centro financeiro da região é Trinidad e Tobago, onde o setor financeiro é responsável por um décimo do PIB, parcela comparável à de Cingapura.

Os mercados financeiros caribenhos são expressivos em relação ao PIB, mas, de modo geral, são pouco desenvolvidos. Por exemplo, os mercados regionais primários de títulos são dominados por obrigações do governo, os mercados secundários são ilíquidos e os sistemas de liquidação e custódia são obsoletos. Além disso, o volume de negócios no mercado de ações ainda é baixo para os padrões internacionais. O comércio de derivativos financeiros também é limitado e ocorre em mercados de balcão, em virtude da ausência de mercados secundários e bolsas organizadas.

Ativos das Instituições Financeiras, 2004

(Em percentagem do PIB) 1/

Fontes: Autoridades nacionais e cálculos do corpo técnico do FMI.

1/ Trinidad e Tobago e Bahamas: 2003; Barbados: 2001.

2/ Média ponderada.

Não obstante a estrutura proporcionada pela CARICOM, os mercados financeiros nacionais no Caribe continuam razoavelmente segmentados. A atividade bancária transnacional é limitada e as operações de empréstimo offshore na região são relativamente reduzidas. Entre outros indícios da segmentação destacam-se a ausência de correlação entre as taxas de juros, um grau relativamente alto de dispersão das taxas de juros e as diferenças acentuadas e persistentes nos preços das ações negociadas em mais de um mercado. A integração poderia aumentar a disponibilidade de capital, sobretudo para as empresas de pequeno porte e os países menores; promover o aperfeiçoamento de regulamentos e normas financeiras; reduzir o custo do capital e, nesse processo, elevar o crescimento econômico, por ajudar a direcionar recursos para as atividades econômicas que ofereçam as maiores taxas de retorno.

Para melhorar as perspectivas de integração e evitar suas armadilhas, são necessárias políticas robustas. Um efeito colateral da integração dos mercados financeiros é a possibilidade de os choques cruzarem as fronteiras com maior rapidez. O fortalecimento das políticas e condições macroeconômicas ajuda a limitar o contágio, especialmente nos países com alto nível de endividamento e déficits em transações correntes elevados. A liberalização das transações de capital entre economias do Caribe, um componente central da integração financeira, também requer mais flexibilidade por parte das autoridades monetárias. Alguns países da região precisam, em particular, assegurar que seus instrumentos de política monetária baseados no mercado sejam adequados para gerir a liquidez num ambiente integrado. Por fim, uma infra-estrutura reforçada e regras de negociação mais simples podem reduzir os custos de transação e a segmentação do mercado.

Para ter êxito, a integração também exigirá uma supervisão regulatória mais intensa, sobretudo dos conglomerados regionais. A integração pode criar riscos ainda desconhecidos e, em termos mais gerais, dificultar a avaliação e gestão dos riscos em nível nacional. À medida que os conglomerados regionais abandonem as linhas jurisdicionais e passem a organizar-se cada vez mais segundo linhas funcionais, os órgãos regionais de supervisão passarão a enfrentar o desafio específico de evitar o surgimento de “pontos cegos” em decorrência da segmentação do conhecimento e/ou das jurisdições. Os países do Caribe estão tomando medidas para reforçar a supervisão, mas há várias questões mais prioritárias no contexto regional: dar continuidade às iniciativas destinadas a fortalecer a supervisão em nível nacional; reforçar o estado de prontidão para enfrentar crises e melhorar a coordenação regional no que diz respeito às questões de rede de segurança e resolução para os bancos ou grupos regionais.

Incentivos fiscais e investimento

Os responsáveis pelas políticas em todo o Caribe têm recorrido ativamente a incentivos para atrair o investimento estrangeiro direto (IED) e gerar empregos. Como resultado, proliferam em toda a região os incentivos especiais ao investimento, tipicamente na forma de isenções temporárias do imposto de renda e de importação incidentes sobre as empresas por até 25 anos. Com o aumento da mobilidade do capital nos mercados mundiais, os governos regionais têm hesitado em reduzir unilateralmente os atuais mecanismos de incentivo, por temerem que o investimento seja direcionado para outros países.

Desvio Padrão Transnacional da Taxa de Juros de Curto Prazo, Ajustado pelas Taxas de Câmbio

(Convergência sigma)

Fontes: Autoridades nacionais e cálculos do corpo técnico do FMI.

Contudo, a despeito da ampla disponibilidade de incentivos, a parcela do investimento regional e global destinado ao Caribe estagnou-se. O IED aumentou no Caribe, mas num ritmo semelhante ao registrado no resto do mundo. A distribuição intra-regional do IED também é irregular — as maiores economias receberam a maior parte dos fluxos de investimento para o Caribe, mas os países menores da ECCU destacam-se como os maiores beneficiários do IED quando medido como proporção do PIB. Além disso, os fluxos de IED apresentam elevada persistência no decorrer do tempo em determinados países e tendem a concentrar-se nos principais setores de exportação, em função das respectivas riquezas naturais.

Estudos recentes do corpo técnico do FMI confirmam constatações anteriores que enfatizam que fatores alheios aos incentivos são importantes para atrair investimentos. Demonstra-se que o IED no Caribe é sensível à política tributária, mas apenas de forma limitada. Outros fatores, como a qualidade institucional, desenvolvimento das infra-estruturas, governabilidade, grau de abertura e restrições ao IED, são pelo menos igualmente importantes. Cumpre notar que os incentivos não parecem ter um efeito significativo sobre os fluxos de IED numa grande amostra de países em desenvolvimento, embora sejam relevantes na amostra formada apenas por países caribenhos.

Os incentivos fiscais e tarifários também podem ser onerosos. Entre esses custos figuram: (1) a erosão da base tributária; (2) a distorção da alocação de recursos; (3) o aumento da carga administrativa e (4) a criação de oportunidades de exploração de renda econômica. As limitações dos dados impedem a realização de uma análise aprofundada dos custos, mas a diferença entre as receitas anuais implícitas nas alíquotas previstas na legislação e as arrecadações efetivas é, em média, superior a 10 por cento do PIB ao ano no Caribe.

Deve-se ressaltar que, além dos incentivos ao investimento, essa diferença reflete outras isenções e a eficiência da administração tributária; contudo, não deixa de indicar a amplitude das perdas.

IED no Caribe como Proporção dos Fluxos de Investimentos Regionais

(Em percentagem)

Fontes: Autoridades nacionais e estimativas do corpo técnico do FMI.

Portanto, as autoridades devem estudar a redução da abrangência dos incentivos fiscais. Se direcionarem os recursos poupados com a redução dos incentivos fiscais para iniciativas que visem melhorar outros fatores determinantes do investimento, tais como a infra-estrutura e as instituições, o resultado líquido poderia ser melhores perspectivas de atração de investimentos. Reduzir as alíquotas previstas em lei, ampliando a base tributária, também poderia ser uma medida mais eficaz.

Na medida em que os incentivos são considerados necessários, há espaço para torná-los mais eficientes em termos de custo. As iniciativas de reforma poderiam concentrar-se em: (1) consolidar os incentivos previstos no código jurídico para eliminar os aspectos discricionários da concessão de isenções; (2) substituir as isenções temporárias por provisões de depreciação acelerada; (3) evitar a aplicação dos incentivos a novos impostos indiretos; (4) estabelecer limites de tempo para as isenções, criando-se exceções para os investidores já qualificados para receber os incentivos a serem revogados e (5) divulgar o custo dos incentivos para aumentar a transparência.

Impostos Potenciais menos Efetivos, 1995–2004

(Percentagem do PIB) 1/

IR de Pessoa

Jurídica
Impostos

relacionados com

importações
Total
Caribe5.65.310.9
Rep. Dominicana4.03.97.9
Trinidad e Tobago3.32.45.7
Jamaica6.23.910.1
UMCO5.45.811.2
Outros6.15.711.8
Fonte: Rodlauer et al. (a ser publicado).

Pressupõe que o setor empresarial represente um quarto do PIB total.

Fonte: Rodlauer et al. (a ser publicado).

Pressupõe que o setor empresarial represente um quarto do PIB total.

A coordenação regional pode ajudar a superar o problema de ação coletiva associado à redução ou eliminação de incentivos. Por exemplo, a harmonização por meio de um código de conduta regional deve seguir alguns princípios básicos: proteger o sistema tributário de cada país; manter uma tributação moderada e previsível; evitar a discriminação e limitar a competição no campo tributário, ao mesmo tempo em que se respeita a soberania nacional. O êxito desses códigos dependerá do comprometimento dos países e da existência de mecanismos eficazes de fiscalização. Todavia, o esforço e tempo necessários para elaborar tais códigos não devem ser subestimados. Ao redirecionar os esforços competitivos dos países para atrair investimentos com mais eficiência (por exemplo, melhorando o ambiente de negócios como um todo), as iniciativas de coordenação regional podem, em termos mais gerais, produzir vantagens significativas tanto para os países como para os investidores estrangeiros.

Erosão das preferências comerciais

Desde 1993, os preços efetivos de exportação de bananas do Caribe vêm sofrendo quedas constantes, com a redução do acesso preferencial aos mercados da União Européia. Em 1993, a UE removeu as barreiras comerciais internas, expondo os tradicionais exportadores caribenhos a um nível maior de concorrência, mesmo com a retenção das preferências no novo regime comum da UE para as bananas. Em 1998, as cotas de banana específicas para cada país foram eliminadas para todos os países com acesso preferencial à UE, permitindo que países africanos mais eficientes conquistassem uma vantagem sobre os produtores caribenhos. Finalmente, em 2006, a UE substituiu as cotas para as bananas latino-americanas por uma tarifa de nação mais favorecida de € 176 por tonelada.

Essas tendências deverão manter-se a médio prazo. Em 2005, a UE anunciou uma redução gradual de 36 por cento nos preços internos do açúcar, a ser implementada em quatro anos. Isso implica um corte de magnitude similar nos preços do açúcar importado de países, inclusive do Caribe, que continuam a ter acesso ao mercado de açúcar da UE a preços superiores aos do mercado mundial.

Tratamentos Comerciais Preferenciais do Caribe

Fontes: Autoridades nacionais e estimativas do corpo técnico do FMI.

Embora seja eficiente do ponto de vista global, a erosão dos mecanismos comerciais preferenciais reduzirá a renda dos países que vinham sendo favorecidos pelo acesso especial. Os cálculos do FMI sugerem, por exemplo, que o valor da assistência implícita prestada pelo regime da UE para as bananas alcançou uma média anual aproximada de 8 por cento do PIB para as Ilhas de Barlavento do Caribe (exceto Granada) e quase 3 por cento do PIB para Belize e Suriname durante o período 1977–2005. Essas estimativas dependem de vários pressupostos, mas indicam as amplas magnitudes em questão. Da mesma forma, a assistência implícita no regime da UE para o açúcar chegou a uma média anual de quase 10 por cento do PIB para a Guiana e de 2 a 4,5 por cento do PIB para Belize.

Por esses motivos, a erosão das preferências comerciais da UE tem sido, e continuará a ser, altamente onerosa para alguns países caribenhos, com efeitos negativos consideráveis sobre a balança comercial, o produto e o saldo fiscal global. Nos casos de São Vicente e Granadinas e de Santa Lúcia, que dependem muito das bananas, o produto poderia sofrer uma queda de 1,5 a 2 por cento a médio prazo em relação ao valor de referência. A Guiana enfrentará um declínio cumulativo de até 6,5 por cento no produto até 2010, com a eliminação das preferências comerciais do açúcar. Mesmo nos países em que os efeitos macroeconômicos forem mais limitados, os custos sociais poderão ser graves, em vista do impacto negativo sobre as rendas das famílias pobres das áreas rurais e os agricultores de mais idade, que teriam poucas oportunidades alternativas de emprego.

As estratégias de adaptação deverão refletir as diferentes circunstâncias de cada país e poderiam abranger:

  • Redes de segurança direcionadas e outras medidas destinadas a assistir as populações afetadas. Medidas de transição são fundamentais para ajudar os agricultores vulneráveis a lidar com o declínio da renda associado à erosão das preferências. Entre as possíveis medidas, destacam-se a criação de mecanismos de transferência de renda bem direcionados, observadas as restrições fiscais globais, a continuidade da participação dos trabalhadores nos sistemas nacionais de previdência com contribuições reduzidas ou zeradas e, dentro do possível, a oferta de oportunidades de emprego e recapacitação.

  • Incentivo ao aumento da eficiência na produção agrícola. Em certos casos, para continuar a oferecer preços competitivos no âmbito dos novos regimes comerciais, provavelmente será necessário realizar novos investimentos, o que pode ser difícil para os países com endividamento elevado e espaço fiscal limitado. Vendas de ativos e investimentos do exterior podem desempenhar papéis úteis.

  • Em outros casos, a única opção viável talvez seja o abandono da agricultura tradicional. Esforços constantes visando melhorar o ambiente para investimentos, reduzir os custos comerciais e capacitar os trabalhadores ajudarão a promover a redistribuição dos recursos, transferindoos dos setores que deixaram de ser economicamente viáveis. De fato, São Cristóvão e Névis e Trinidad e Tobago já desativaram, ou praticamente desativaram, grande parte das suas outrora importantes indústrias açucareiras.

Conclusão

O atual contexto econômico e político oferece uma boa oportunidade para retomar as reformas e avançar rumo à integração. O crescimento regional continua vigoroso e o ambiente externo ainda é favorável. Ao mesmo tempo, as transições e renovações ocorridas recentemente ou a ocorrer no cenário político regional podem prover os mandatos populares necessários para implementar reformas profundas e reforçar as estratégias fiscais e de redução do endividamento.

Panorama do Setor Financeiro, 2006
ArgentinaBolíviaBrasilChileColômbiaEquadorMéxicoParaguaiPeruUruguaiVenezuela
Sistema financeiro
Ativos do setor bancário/PIB39.639.663.456.764.135.524.332.027.167.029.3
Crédito do setor financeiro 1/
Crédito/PIB
Crédito total26.636.531.568.648.022.645.423.332.824.215.1
do qual: percentagem em moeda estrangeira13.683.5n.a.4.330.948.359.16.7
Crédito ao setor privado13.036.430.768.235.722.022.316.728.421.917.1
Crédito a empresas privadas7.714.019.045.524.78.613.711.514.5
Crédito às famílias5.322.411.722.711.06.78.75.09.1
Crédito ao setor público13.60.10.80.48.80.623.16.64.41.7−2.0
Crescimento do crédito (%), média 2004–06
Total8.43.720.516.915.121.214.518.512.0−4.788.0
Setor privado28.53.821.017.126.724.616.713.312.3−3.078.9
Empresas26.60.116.614.429.718.810.89.56.1
Famílias31.66.429.923.322.135.130.320.9−4.8
Setor público−2.3−6.39.01.17.0−20.612.537.810.8−15.486.3
Crédito imobiliário
Parcela do PIB1.67.31.514.02.41.93.82.37.9
Crescimento (%), média 2004–063.97.912.820.1−6.539.516.215.81.5
Depósitos
Total de depósitos/PIB26.138.025.154.723.425.116.623.619.851.334.3
Depósitos privados/PIB18.737.824.717.321.715.720.118.449.534.1
Denominados em moeda estrangeira (%)12.476.80.2n.a.8.950.662.384.90.5
Taxas de juros (%)
Taxa básica, fim de 20068.06.813.35.37.54.59.3
Taxa sobre depósitos de curto prazo (moeda nacional)6.53.712.65.46.85.33.510.93.62.310.0
Spread entre taxas de empréstimo e de depósito
Crédito imobiliário3.44.99.23.7
Crédito pessoal19.55.339.521.912.85.628.110.734.834.4
Crédito a empresas8.713.65.05.24.05.45.624.67.4
Instituições financeiras não bancárias
Crédito total/PIB0.47.65.95.210.82.90.4
Crédito ao setor privado/PIB0.47.65.45.03.12.80.3
Variação (média 2004–06)0.1−0.50.30.50.30.1−0.7
Ativos de fundos mútuos/PIB2.939.212.17.5
Ativos de fundos de pensão/PIB13.620.116.160.714.17.915.413.4
Dos quais: ativos do setor público55.276.213.147.675.319.088.0
ativos do setor empresarial14.49.827.419.817.043.83.9
ativos do setor financeiro20.611.327.217.91.528.08.1
Mercados de capital locais
Mercados de ações
Capitalização do mercado/PIB24.166.5119.641.441.542.88.642.1
Variação da capitalização do mercado/PIB (média 2004–06)−1.18.50.47.87.46.6−0.49.7
Crescimento dos preços (%, em doze meses)49.932.934.417.348.6168.3
Relações preço/lucro16.79.020.721.417.733.3
Volatilidade (30 dias, anualizada)18.717.710.718.813.018.4
Taxa de rotatividade (%) 2/6.846.518.627.827.615.01.53.1
Número de novas emissões no mercado interno em 20064.030.07.04.04.03.00.03.0
Mercados de títulos públicos
Valor em circulação/PIB28.448.010.232.218.65.09.5
Variação do valor em circulação/PIB (média 2004–06)0.51.1−5.91.21.20.314.6
Taxa de rotatividade (%) 2/33.50.6115.510.6
Número de novas emissões em 200683.05.023.02.012.03.0
Crescimento de novas emissões (%, média 2004–06)231.4−16.753.41.4−9.8−19.8
Mercados de títulos privados
Valor em circulação/PIB5.40.510.30.53.32.7
Variação do valor em circulação/PIB (média 2004–06)−0.50.0−0.90.10.0−0.1
Taxa de rotatividade (%) 2/31.13.2126.912.5
Número de novas emissões em 2006529.071.0447.024.088.079.0
Crescimento de novas emissões (%, média 2004–06)107.544.821.441.31.322.0
Fontes: Autoridades nacionais; Federação Mundial de Bolsas; Bloomberg, L.P.; Banco de Pagamentos Internacionais (BIS); Federação Internacional de Administradoras de Fundos de Pensão (FIAP); Investment Company Institute (ICI); Shah et al. (2007); Shah et al. (a ser publicado); World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Abrange bancos e instituições financeiras não bancárias. Dados relativos apenas a bancos no caso da Colômbia, Honduras, Panamá e República Dominicana.

Parcela total do volume negociado em 2006 dividida pela capitalização média do mercado interno em 2005 e 2006 no caso da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

Fontes: Autoridades nacionais; Federação Mundial de Bolsas; Bloomberg, L.P.; Banco de Pagamentos Internacionais (BIS); Federação Internacional de Administradoras de Fundos de Pensão (FIAP); Investment Company Institute (ICI); Shah et al. (2007); Shah et al. (a ser publicado); World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Abrange bancos e instituições financeiras não bancárias. Dados relativos apenas a bancos no caso da Colômbia, Honduras, Panamá e República Dominicana.

Parcela total do volume negociado em 2006 dividida pela capitalização média do mercado interno em 2005 e 2006 no caso da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

Costa RicaEl SalvadorGuatemalaHondurasNicaráguaPanamáRep. Dom.JamaicaTrinidad e Tobago
Sistema financeiro
Ativos do setor bancário/PIB62.163.160.054.758.2133.634.862.850.3
Crédito do setor financeiro 1/
Crédito/PIB
Crédito total43.249.239.551.133.797.419.442.936.5
do qual: percentagem em moeda estrangeira39.6n.a.37.530.783.7n.a.18.4
Crédito ao setor privado37.842.931.247.933.391.716.835.035.3
Crédito a empresas privadas15.70.017.542.812.39.122.5
Crédito às famílias15.814.749.74.57.612.8
Crédito ao setor público5.46.83.20.45.72.68.01.3
Crescimento do crédito (%), média 2004–06
Total23.95.519.020.229.612.1−31.49.711.9
Setor privado26.16.917.420.530.412.26.717.817.3
Empresas25.227.710.3−0.413.616.6
Famílias24.533.813.646.428.318.7
Setor público19.030.116.10.013.211.9−10.5−18.7
Crédito imobiliário
Parcela do PIB8.74.50.83.6
Crescimento (%), média 2004–0629.641.5109.617.7
Depósitos
Total de depósitos/PIB46.738.441.155.641.7143.129.241.336.8
Depósitos privados/PIB43.632.340.352.6129.224.538.732.2
Denominados em moeda estrangeira (%)49.2n.a.27.430.8n.a.28.8
Taxas de juros (%)
Taxa básica, fim de 20069.85.06.08.012.08.0
Taxa sobre depósitos de curto prazo (moeda nacional)11.34.94.86.04.97.55.0
Spread entre taxas de empréstimo e de depósito8.0
Crédito imobiliário4.72.123.411.8
Crédito pessoal10.35.28.911.8
Crédito a empresas9.52.82.95.98.7
Instituições financeiras não bancárias
Crédito total/PIB6.41.32.110.110.3
Crédito ao setor privado/PIB6.40.72.18.19.6
Variação (média 2004–06)0.6−0.60.40.6−1.4
Ativos de fundos mútuos/PIB4.82.9
Ativos de fundos de pensão/PIB5.018.019.20.42.1
Dos quais: ativos do setor público64.278.60.0
ativos do setor empresarial2.10.31.9
ativos do setor financeiro22.015.698.1
Mercados de capital locais
Mercados de ações
Capitalização do mercado/PIB39.855.0
Variação da capitalização do mercado/PIB (média 2004–06)5.320.1
Crescimento dos preços (%, em doze meses)11.1
Relações preço/lucro
Volatilidade (30 dias, anualizada)14.2
Taxa de rotatividade (%) 2/2.4
Número de novas emissões no mercado interno em 20064.0
Mercados de títulos públicos
Valor em circulação/PIB23.212.071.8
Variação do valor em circulação/PIB (média 2004–06)12.00.07.4
Taxa de rotatividade (%) 2/
Número de novas emissões em 20060.045.0
Crescimento de novas emissões (%, média 2004–06)60.6
Mercados de títulos privados
Valor em circulação/PIB23.34.60.40.00.412.10.6
Variação do valor em circulação/PIB (média 2004–06)1.30.60.00.0−0.20.10.2
Taxa de rotatividade (%) 2/20.4119.8103.20.023.9121.532.7
Número de novas emissões em 200643.010.02.02.01.022.00.0
Crescimento de novas emissões (%, média 2004–06)15.55.461.10.00.041.90.0
Fontes: Autoridades nacionais; Federação Mundial de Bolsas; Bloomberg, L.P.; Banco de Pagamentos Internacionais (BIS); Federação Internacional de Administradoras de Fundos de Pensão (FIAP); Investment Company Institute (ICI); Shah et al. (2007); Shah et al. (a ser publicado); World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Abrange bancos e instituições financeiras não bancárias. Dados relativos apenas a bancos no caso da Colômbia, Honduras, Panamá e República Dominicana.

Parcela total do volume negociado em 2006 dividida pela capitalização média do mercado interno em 2005 e 2006 no caso da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

Fontes: Autoridades nacionais; Federação Mundial de Bolsas; Bloomberg, L.P.; Banco de Pagamentos Internacionais (BIS); Federação Internacional de Administradoras de Fundos de Pensão (FIAP); Investment Company Institute (ICI); Shah et al. (2007); Shah et al. (a ser publicado); World Economic Outlook e estimativas do corpo técnico do FMI.

Abrange bancos e instituições financeiras não bancárias. Dados relativos apenas a bancos no caso da Colômbia, Honduras, Panamá e República Dominicana.

Parcela total do volume negociado em 2006 dividida pela capitalização média do mercado interno em 2005 e 2006 no caso da Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru.

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