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Editor(s):
Hassanali Mehran
Published Date:
September 1985
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João da Costa Pinto

O texto que me cabe comentar propõe uma leitura da situação económica internacional, adopta um cenário de evolução desta ao longo de 1985 e identifica áreas sensíveis ou mesmo críticas, a aconselharem uma atenção particular por parte das políticas económicas a serem implementadas a nível das diferentes economias.

Sublinha ainda o texto o contínuo processo de intensificação da interdependência entre os vários grupos de economias e aponta, aliás como corolário de tal processo, a necessidade de serem adoptadas e promovidas formas cada vez mais estreitas e aprofundadas de cooperação internacional, em contraposição às forças e grupos de pressão que em algumas economias advogam o proteccionismo.

Ao adiantar a posição do Fundo em relação aos problemas que hoje se colocam a muitas economias, sejam elas industrializadas, em desenvolvimento ou de mais baixo rendimento, o texto indica a estratégia que, no entender desta organização, deve ser seguida de modo a minimizar os custos que os ajustamentos não deixarão de impor.

Como nota de inegável interesse é citado o Director-Geral do Fundo, Sr. de Larosière, afirmando: “… a necessidade em serem proporcionados financiamentos adequados às economias que estão a fazer esforços genuínos para resolver os seus problemas”1.

Afirmação que, na perspectiva das economias que se debatem com desequilíbrios externos persistentes, não deixa de poder ser considerada como muito positiva e encorajadora.

Deixa, no entanto, algumas incertezas e interrogações, pois não clarifica a origem de tais financiamentos.

Qual o papel reservado aos credores “oficiais” e qual o peso que se espera ou se deseja venham a ter os chamados credores privados (sejam ou não instituições financeiras internacionais)?

A questão não è despicienda, dado que o maior ou menor recurso a umas ou outras fontes determinará, por via de regra, diferentes condições de custo dos financiamentos e de vulnerabilidade às oscilações repentinas dos mercados financeiros internacionais.

Da análise feita no texto da situaçao económica internacional no final de 1984 e das perspectivas de evolução em 1985 e anos seguintes, emerge um quadro de algum optimismo.

Depois de três anos de crescimento baixo, mesmo negativo, iniciou-se, a partir do início de 1983, um processo de recuperação do mundo industrializado. Para 1985 é prevista a continuação desse processo de recuperação, embora com uma certa desaceleração do crescimento, devendo a taxa de expansão do produto, para o conjunto das economias industrializadas, situar-se à volta dos 3,5 por cento.

Este quadro de relativo optimismo depois da recessão dos anos 80, 81 e 82 é moderado, no entanto, por algumas incertezas que não deixam de alimentar alguns factores de insegurança.

Considerando globalmente as economias industrializadas, o desemprego mantém-se como o ponto fraco da actual situação, com nada menos de oito países a suportar, em 1984, taxas de desemprego iguais ou superiores a 10 por cento. A prevista desaceleração do crescimento para 1985 não permite prever melhorias substanciais neste domínio. Para além de reflectir dificuldades estruturais específicas com que se debatem algumas economias industrializadas, este comportamento do emprego está em boa parte na origem de pressões políticas e sociais que têm levado alguns países a adoptar medidas proteccionistas.

O elevado nível mantido pelas taxas de juro reais e nominais é, de igual modo, motivo para preocupação. A sua eventual manutenção poderá, para além de agravar o peso dos serviços das dívidas externas, travar o investimento e desacelerar mais ainda a expansão prevista.

No que diz respeito às economias em desenvolvimento, a evolução da respectiva situação ao longo de 1983 e 1984 foi condicionada por dois tipos de factores, em parte divergentes nos seus efeitos, sobre o comportamento da actividade económica interna destes países.

A forte expansão da economia dos Estados Unidos e a recuperação, embora mais modesta de outras economias industrializadas, impulsionaram o nível do comércio mundial. As economias em desenvolvimento viram, deste modo, em parte compensados por aumentos das suas exportações os efeitos depressivos dos severos programas de ajustamento que muitas delas tiveram que adoptar.

Esta melhoria da economia mundial ter-se-á naturalmente reflectido na situação dos pagamentos internacionais e conduzido a uma melhoria da situação financeira externa de muitas economias em desenvolvimento, ou pelo menos a uma certa descompressão, depois das dificuldades agudas vividas durante os três anos de recessão. Pode afirmar-se, como o faz o texto, que a situação da dívida internacional e as necessidades de financiamento das economias em desenvolvimento melhoraram como reflexo das razões já referidas, melhoria que transparece nos rácios que é natural utilizar para medir o peso da dívida.

Os números mais recentes conhecidos, nomeadamente os publicados pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), vêm, com alguns ajustamentos, confirmar a situação delineada pelo texto do Sr. Struckmeyer para finais de 1984.

Quadro 1.Alguns Indicadores, 1973-85(em percentagem)
Períodos de RecessãoPeríodos de RecuperaçãoPeríodos de RecessãoPeríodos de Recuperação
197319741975197619771978197919801981198219831984119852
Comércio mundial
(Crescimento em volume)12.54.0−4.011.55.05.57.01.51.0−2.51.758.55.5
Economias industrializadas
PIB3 (taxa de crescimento)46.30.6−0.75.13.94.13.51.31.6−0.12.34.83.25
Taxa de desemprego3.43.75.55.55.45.15.05.66.58.08.37.77.5
Taxa de inflação7.711.610.27.38.47.29.011.79.97.44.83.94.0
Economias em desenvolvimento5
Importadoras de petróleo
PIB (taxa de crescimento)6.55.34.05.35.76.45.15.02.81.51.63.5
Serviço da dívida rácio612.611.413.312.612.715.714.713.96.623.119.619.0
Exportadoras de petróleo
PIB (taxa de crescimento)9.17.23.78.26.32.33.7−2.0−4.0−4.3−1.14.7

Estimativas.

Previsões.

Produto interno bruto.

FMI para números de 1973 a 1981; OCDE para números de 1982 a 1985.

Serviço da dívida com percentagem das exportações.

Excepto China.

Estimativas.

Previsões.

Produto interno bruto.

FMI para números de 1973 a 1981; OCDE para números de 1982 a 1985.

Serviço da dívida com percentagem das exportações.

Excepto China.

De salientar apenas um valor para a taxa de crescimento da economia dos Estados Unidos para 1984 ligeiramente inferior (6,75 por cento) e uma previsão para 1985 que corresponderá, a concretizar-se, a uma desaceleração mais acentuada, ficando o crescimento pelos 3 por cento.

A taxa de desemprego para o conjunto dos países industrializados será, no final de 1984, ligeiramente mais elevada (8,5 por cento), taxa que a OCDE prevê venha a manter-se em 1985, com níveis bastante elevados para algumas economias (10,5 por cento em França, 11,75 por cento no Reino Unido e 10,5 por cento na Itália).

Da situação traçada no texto e das previsões adiantadas tende assim, a meu ver, a emergir um quadro que podendo ser considerado de moderadamente optimista, não deixa de apresentar algumas zonas cinzentas a criar algumas incertezas e a alimentar alguns factores de insegurança.

A recessão que assolou a economia internacional entre 1980-82 e a recuperação de 1983 e 1984 que se lhe está a seguir não se limitaram a repetir o padrão da evolução que se seguiu ao primeiro “choque” petrolífero.

Na sequência da subida dos preços do petróleo em 1973, a actividade económica nos países industrializados desacelerou brusca e profundamente. A recuperação iniciada em 1976 foi igualmente rápida, embora com taxas de crescimento que se mantiveram abaixo da média de crescimento dos anos 60. Em contraste, as taxas de crescimento das economias industrializadas deprimiram-se menos na sequência do segundo choque petrolífero de 1979, mas a recuperação que se lhe está a seguir está a ser claramente mais lenta do que a conseguida depois de 1975.

A segunda recessão apresentou-se assim mais ligeira do que a primeira, mas mais extensa, o que decerto está ligado às severas políticas monetárias adoptadas pelas economias industrializadas para controlarem e baixarem a inflação. Como resultado, o desemprego nestas economias que, depois da primeira recessão, se mantivera à volta dos 5 por cento, depois da segunda mantém-se, como se viu, a níveis superiores a 8 por cento.

As dificuldades enfrentadas pelas economias em desenvolvimento surgem decisivamente influenciadas pelo comportamento do mundo industrializado, para além, naturalmente dos ambiciosos mas inviáveis programas de expansão, ligados ou não à adopção de políticas inadequadas de redistribuição do rendimento que muitas delas adoptaram. A segunda recessão atingiu aliás estas economias de forma mais intensa, o que se reflectiu nas taxas globais de crescimento que desaceleraram mais. Mesmo as economias em desenvolvimento que conseguiram taxas superiores de crescimento não evitaram a influência cíclica das economias industrializadas.

As elevadas taxas de juro e a depressão da procura externa convergiram, poderosamente, fazendo com que as economias em desenvolvimento, muitas das quais já debilitadas em resultado da adopção das já referidas políticas internas, se vissem apertadas entre a queda ou a estagnação das respectivas receitas em moeda externa e os elevados serviços das respectivas dívidas.

Apenas uma nota para referir a forma como algumas economias em desenvolvimento conseguiram evitar sérias dificuldades e bloqueamentos, como foi o caso do grupo das nações do sudeste asiático (ASEAN) e das economias do Extremo-Oriente.

Quadro 2.Dívida Pública em Algumas Economias da OCDE(Saldos em divida)
Dívida Detida por
Sector privado domésticoNão residentes
197119751981197119751981
(em percentagem do PNB1)
Estados Unidos16.613.915.13.14.54.7
japão9.611.527.3
República Federal da Alemanha7.010.814.60.20.12.9
França9.37.810.70.90.40.5
Reino Unido52.942.942.513.08.85.2
Itália40.140.951.30.70.51.2
Fonte: Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Produto national bruto.

Fonte: Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Produto national bruto.

Quadro 3.Dívida Pública em Algumas Economias da OCDE(Saldos em divida)
Serviço da Dívida
Total como percentagem do PNBServiço pago a não-residentes1
197119751981197119751981
Estados Unidos1.61.72.78.018.220.2
japão0.40.72.6
República Federal da Alemanha0.40.51.02.33.95.4
França0.60.71.4
Reino Unido2.52.73.913.415.211.6
Itália2.04.07.2
Fonte: Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Percentagem do serviço total pago.

Fonte: Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Percentagem do serviço total pago.

Através da adopção de agressivas políticas de atracção de investimentos directos, orientados para a expansão das respectivas exportações, essas economias conseguiram ritmos de expansão sustentados e evitaram sérios agravamentos das dívidas externas. Elas apresentam hoje, globalmente consideradas, balanças com estruturas muito mais equilibradas que as dos países em vias de desenvolvimento de outras regiões, e com os respectivos défices correntes, financiados, em parte considerável por movimentos autónomos de capitais.

A crescente importância económica desta região levanta, a meu ver, algumas interrogações sobre os factores que estão a permitir a muitas destas economias manter processos de desenvolvimento sustentados, ao mesmo tempo que outros grupos de economias falham nos seus esforços, apesar de adoptarem políticas económicas de características idênticas.

As economias em desenvolvimento aprenderam ao longo da última década que, sendo o desenvolvimento um objectivo de longo prazo, e estando a prossecução deste sem dúvida ligado à adopção de políticas económicas dirigidas a mudanças estruturais, estas devem, simultaneamente, ser viáveis no curto prazo.

Ao contrário do que aconteceu na década de 60, em que o mundo em desenvolvimento conseguiu manter, sem grandes sobressaltos, ritmos notáveis de desenvolvimento, desde o início da presente década que os problemas de curto prazo têm vindo a multiplicar-se e a bloquear seriamente o desenvolvimento. O crescimento económico é agora ameaçado por esse enquadramento internacional caracterizado pela instabilidade e pela adopção, por parte das diferentes economias industrializadas, de estratégias e políticas diferenciadas.

A consolidação e durabilidade da reforma da economia dos Estados Unidos surge como um elemento de extrema importância na evolução da situação internacional. Talvez nunca tenha sido tão visível, como o é no actual contexto internacional, a importância da orientação que nos próximos anos (a começar pelo presente) venha a ser imprimida à política económica dos Estados Unidos; nem tão grande a respectiva responsabilidade.

A complexidade que decorre do comportamento de “variáveis-chave,” como a taxa de juro e o valor do dólar norte-americano, explica de certo as “dúvidas” e as “divergências” quanto às previsões de evolução nos próximos anos da conjuntura internacional.

A importância nuclear de que se reveste na avaliação das perspectivas do futuro próximo a evolução do défice orçamental dos Estados Unidos é unanimemente reconhecida (ou quase!).

O recurso à dívida para financiamento do défice do sector público não é obviamente novo nos Estados Unidos, nem sequer, naturalmente, específico desta economia. O padrão seguido pelos Estados Unidos durante a década de 70, principalmente a partir de 1975, pode considerar-se comum à maior parte das economias da OCDE: recurso crescente do sector público, quer à poupança doméstica, quer a recursos financeiros provenientes do exterior.

O que é novo é a tendência observada na economia dos Estados Unidos, a partir dos fins da década de 70 e princípios desta, para aumentar de forma crescente a participação neste financiamento de recursos gerados por poupanças provenientes do exterior. Em 1981 a dívida federal nas mãos de não-residentes ascendia a cerca de 5 por cento do produto nacional bruto (PNB) e a 12 por cento da dívida total. Tendo embora presentes o papel internacional do dólar e a natureza “expontânea/voluntária” dos movimentos de capitais que afluem do exterior aos mercados financeiros dos Estados Unidos, permanece o facto de as transferências para não-residentes, geradas pelo serviço da dívida, estarem a atingir níveis apreciáveis. No final de 1981 cerca de 21 por cento de todo o serviço da dívida foi pago a estes detentores, contra apenas 8 por cento dez anos antes.

De acordo com números da OCDE, o stock de activos financeiros, pertença de não-residentes, ultrapassava, nos finais de 1983, os US$600 biliões (valor próximo da totalidade da dívida externa mantida, no final do mesmo período, pelo conjunto de todas as economias em desenvolvimento não exportadoras de petróleo). O contínuo crescimento desse stock, a manter-se, poderá vir a tomar a política monetária dos Estados Unidos progressivamente mais dependente do valor do dólar, ao mesmo tempo que tenderá a reduzir (dada a rigidez do serviço da dívida e o crescente volume de activos financeiros denominados em dólares nas mãos de não-residentes) a sua eficácia para influenciar a respectiva taxa de câmbio.

Fora dos Estados Unidos e no conjunto das outras economias industrializadas, é a evolução do emprego que se mantém como o mais sério condicionante dos cenários de comportamento da economia mundial (dado o comportamento favorável da inflação ao longo de 1983 e 1984).

A agravar-se, ou mesmo a manter-se por um período longo, o actual nível de desemprego em algumas importantes economias industrializadas, existe o risco de que ganhem mais força os que nelas advogam o recurso à multiplicação de medidas proteccionistas. A OCDE estima que estas abrangem já hoje cerca de 15 por cento da totalidade dos produtos manufacturados e comercializados pelo conjunto das economias membros desta organização; percentagem aliás muito mais elevada para produtos como os têxteis, o vestuário, o aço e os automóveis. A intensificação de tais medidas, para além de em termos líquidos não favorecerem as economias que as adoptassem, teria graves consequências a nível do comércio mundial, atingindo particularmente as economias em desenvolvimento, dada a natureza dos produtos sobre os quais recai actualmente esta ameaça.

Parece pois poder afirmar-se que muito embora a situação económica mundial tenha melhorado substancialmente depois da recessão de 1980-82, apresenta ainda claros factores de instabilidade que representam uma ameaça à consolidação do processo de retoma.

As margens de actuação revelam-se estreitas e difíceis e conduzem, salvo melhor opinião, às questões seguintes:

  • —E se a situação da economia internacional evoluir, nos próximos anos, de forma globalmente menos favorável do que o previsto nos cenários para que apontam as projecções elaboradas?

  • —Como enfrentarão as economias em desenvolvimento, com dívidas externas elevadas, as dificuldades que não deixarão de surgir se a procura de importações por parte das economias industrializadas desacelerar a um ponto em que já não permita o afluxo dos recursos financeiros indispensáveis para solver os respectivos compromissos externos e financiar as reformas e algum crescimento?

Parece que, neste contexto, os apelos à solidariedade e cooperação internacionais ganham maior significado. O momento de descompressão que se está a viver quanto aos problemas financeiros, na sequência da recuperação de 1983-84, evolução que no essencial deverá manter-se em 1985, e dos acordos de reescalonamento das dívidas externas de algumas economias acordados com credores oficiais e privados, apresenta-se como propício a uma reflexão sobre esta questão.

Não se vêem, sempre que se trate de corrigir situações agudas de desequílibrio externo, alternativas eficazes à acção sobre a procura interna, com os consequentes e sempre dolorosos custos de uma desaceleração ou mesmo retracção do crescimento.

Os erros cometidos por muitas economias em passado recente, aliás em parte possíveis mercê de alguma permissividade e/ou “facilidade” por parte de muitos credores privados (na sua maioria instituições financeiras internacionais), a braços com a necessidade de procurar colocação para vultuosos excedentes de liquidez, e as oportunidades abertas pelo rápido incremento da procura de importações por parte da economia dos Estados Unidos, criaram, a meu ver, um clima internacional propício à aceitação da inevitabilidade e mesmo indispensabilidade de adopção de severos programas de ajustamento.

A questão que se coloca, e se deixa para a reflexão que merecer, liga-se às eventuais consequências que, a nível interno de muitas economias e a nível internacional, poderão desencadear-se se, por acção de algum ou alguns dos factores de instabilidade ou incerteza hoje latentes e que o texto refere, as economias em desenvolvimento virem frustradas as suas expectativas de melhoria após os dolorosos períodos de ajustamento, expectativas essas criadas no contexto da implementação de programas dirigidos à contenção ou retracção da procura interna, em nome do lançamento de bases sólidas para o arranque do crescimento e do desenvolvimento.

Cada economia deverá naturalmente assumir a responsabilidade de se flexibilizar, de se tomar mais eficiente, de reduzir progressivamente eventuais distorções nos preços, de redimensionar e tomar mais eficiente a Administração, de garantir que o sector público não administrativo deixe de ser um factor económico e psicológico de travagem do desenvolvimento. Mas há igualmente que reconhecer que dificilmente o poderá fazer se a evolução do enquadramento internacional lhe for desfavorável.

O texto reconheceu as dificuldades e os perigos potenciais que ainda condicionam a consolidação da recuperação da economia mundial. O autor afirma mesmo que: “não existe a certeza de que a presente retoma se manterá no médio prazo num contexto de estabilidade interna dos preços e de posições externas viáveis”. Cooperação e solidariedade internacionais crescentes; manutenção por parte das economias industrializadas de políticas económicas adequadas; adopção por parte das economias em desenvolvimento de programas dirigidos ao ajustamento das respectivas economias às novas, e cada vez mais exigentes, condições da concorrência internacional (sem perderem de vista a necessidade de manterem, no curto prazo, posições externas viáveis); são estes, em síntese, os “conselhos” advogados para evitar que nos próximos anos se percam os ganhos tão duramente obtidos; medidas que, sem dúvida, obtêm um consenso alargado.

Para além, no entanto, da adopção de uma “atitude” face à presente conjuntura consentânea com esta leitura, o que parece estar igualmente em causa, dada a amplitude da dívida externa acumulada pelo conjunto das economias em desenvolvimento, é o interesse na criação de mecanismos capazes de servir de suporte a uma reciclagem mais equilibrada dos recursos financeiros internacionais; mecanismos que permitam neutralizar, ou pelo menos compensar, o impacto sobre as economias em desenvolvimento das oscilações de comportamento do mundo industrializado e dos mercados financeiros internacionais; mecanismos que saídos da solidariedade e cooperação internacionais viessem a permitir, em condições a estabelecer, às economias em desenvolvimento que se esforçassem por evoluir na direcção considerada conveniente, manter dívidas externas com uma estrutura adequada, quer quanto a prazos, quer quanto a custos e origens, de modo a diminuir a actual vulnerabilidade das balanças destes países às oscilações e instabilidade dos mercados financeiros internacionais.

Quadro 4.Empréstimos no Euromercado(Principais grupos de economias)
Variação Média em Percentagens
Valores de final de ano1975197619771978197919801981198211975-821975-781978
(biliões de US$ ou de relevante)
Valor total transaccionado
Valor Bruto442547690892111113221550166120.826.416
Economias em desenvolvimento
não produtoras de petróleo
Valor Bruto263819912215919323025021.824.519
Valor Líquido2263137456910213214427.619.733
Estrutura dos Empréstimos
(Percentagem dos valores brutos por grupos)
Economias desenvolvidas7876747575767677
Economias da Europa Oriental55655543
Economias da OPEC34666555
Economias em desenvolvimento não exportadoras de petróleo1415141414141515
Fonte: Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).

Valores provisórios.

Valor líquido = Valor bruto − depósitos.

Fonte: Banco de Pagamentos Internacionais (BIS).

Valores provisórios.

Valor líquido = Valor bruto − depósitos.

Como última nota e em ligação com esta questão refere-se que o peso relativo dos recursos financeiros envolvidos no financiamento das economias em desenvolvimento não exportadoras de petróleo é suficientemente modesto para se compreender mal que, no futuro, continue a ameaçar a estabilidade de todo o sistema financeiro internacional. Entre 1975 e 1982, por exemplo, o peso médio dos empréstimos obtidos pelo conjunto destas economias em Eurocurrency andou apenas à volta de 15 por cento da totalidade das operações transaccionadas (cerca de 75 por cento foram financiar as economias industrializadas), cifrando-se em 1982 em cerca de US$250 biliões.

João Batista de Abreu

A dissertação, elaborada pelo Struckmeyer, prima pelo apuro em apresentar, de forma metódica e dentro de moldura adequada, realidades e cenários possíveis, para 1985, das economias dos países industrializados e em desenvolvimento, estes últimos subdivididos entre produtores e não produtores de petróleo.

O trabalho vai muito além de mera catalogação de fatos e construção de cenários. A análise por blocos de países pareceu-nos uma orientação engenhosa, visto que esse confronto, entre outras vantagens, deixa patente a elevada, e ainda crescente, dependência dos países em desenvolvimento às linhas de política económica seguidas pelos países industrializados; mais ainda, o cotejo permite, sem esforço maior, testara consistência dos cenários construídos.

De forma objetiva, o texto demonstra que a recuperação dos países industrializados ocorreu quase ao mesmo tempo, porém respondendo a estímulos de origens distintas. Salvo peculiaridades, é reconhecido que a “alavancagem” inicial foi induzida pela expansão do nível de demanda agregada nos Estados Unidos. No caso particular dos países em desenvolvimento não produtores de petróleo, o dinamismo observado resultou, em boa medida, do bom desempenho das exportações destinadas aos países industrializados. Essa melhora das exportações, aliada a restrições impostas às importações, proporcionou sensível alívio às pressões sobre a balança de pagamentos. Nesse ponto, o trabalho realça que, não obstante todos os países se terem beneficiado da retomada do crescimento da economia americana, o bloco dos países europeus e asiáticos foi o mais favorecido. Com respeito a estes últimos, ressalte-se que muitos deles promoveram programas de ajustamento económico à época do segundo “choque” do petróleo, propiciando-lhes posição privilegiada atualmente, inclusive na atracção de empréstimos externos voluntários. Os demais países em desenvolvimento não produtores de petróleo deparam-se ainda com dificuldades, cujo equacionamento vem, aos poucos, sendo obtido pela implementação de programas de ajuste no plano interno e externo.

No que tange aos cenários para 1985, o quadro é moderadamente otimista em face da manutenção do crescimento das economias industrializadas em bases mais modestas, porém, ainda assim, capaz de permitir aos países em desenvolvimento soluções menos traumáticas para o seu endividamento. Sob esse aspecto, o esquema do reescalonamento de compromissos no âmbito dos bancos privados e as negociações no Clube de Paris vêm demonstrando, aos poucos, a sua viabilidade. O sucesso dessas negociações e a recuperação, em base menos instável, da economia mundial poderão ensejar um equacionamento mais satisfatório para a dívida dos países mais pobres.

O autor não descarta, todavia, algumas dificuldades que poderiam ocorrer no círculo dos países industrializados. Do lado dos países em desenvolvimento, sobressaem as preocupações com as condutas protecionistas dos países industrializados, que buscariam nessa orientação solucionar seus problemas de desemprego. Outro aspecto desfavorável poderia advir de um recrudescimento da inflação, especialmente nos Estados Unidos, derivado do esgotamento da capacidade produtiva, que se vem ressentindo da baixa taxa de investimento privado. Além disso, as expectativas com relação à taxa de juros apontam no sentido ascendente, graças, principalmente, a uma elevação da demanda de crédito e à permanência de uma política monetária mais restritiva.

Parece oportuno, ainda com respeito às expectativas para o ano em curso, fazer referência às controvérsias sobre a duração e a amplitude da desaceleração da economia americana manifestada no terceiro trimestre do ano passado. Essa particularidade não chegou a ser aludida no trabalho, porquanto essas informações se tomaram disponíveis posteriormente à sua elaboração. Os indicadores da economia dos Estados Unidos, correspondentes ao terceiro trimestre, registaram uma expansão do produto de apenas 1,9 por cento contra 7,1 por cento ocorrida no segundo trimestre. Essa brusca alteração deveu-se a uma estabilização do crescimento industrial e a uma queda acentuada da construção civil; mais ainda, o déficit comercial atingiu valor quase duas vezes superior ao verificado dois anos atrás. A despeito da opinião da maioria dos observadores que admitem ser essa mudança transitória, seria interessante aprofundar um pouco mais esse debate.

Outro ponto relevante refere-se aos cenários da economia americana para 1985. O trabalho elaborado pelo Struckmeyer, da mesma forma que a Administração Reagan, prevê cerca de 4 por cento para a expansão do produto, em confronto com 3 por cento (potential growth rate) admitidos por publicações especializadas. O diferencial poderia ser negligenciado se os valores envolvidos não tivessem tanta expressão — 1 por cento a menos significa uma redução de, aproximadamente, US$37 bilhões no produto; o déficit fiscal expandir-se-ia em US$4 bilhões, a partir de uma projecção de US$205 bilhões para 1985. A persistência desse ritmo de crescimento para 1986 resultaria num déficit fiscal adicional de US$70 bilhões, mantidas, naturalmente, as atuais linhas de política.

Porém, o fato que está a causar maior preocupação à Administração Reagan é o crescimento alarmante do déficit comercial. As estimativas correntes apontam um déficit da ordem de US$150 bilhões para 1984 e cerca de US$175 bilhões para 1985. Por decorrência, a procura agregada cresceu cerca de 5,7 por cento no terceiro trimestre de 1984 contra uma expansão de apenas 1,9 por cento do produto—foi o maior diferencial de taxa verificado nos últimos 30 anos. Está a observar-se uma recuperação dos investimentos em capital fixo, contudo; cerca de 30 por cento de todo o equipamento empregado é originário de importações. As estratégias ventiladas para o equacionamento do problema vão desde um “afrouxamento” da política monetária — afetando as taxas de juros para baixo e, por conseguinte, acarretando enfraquecimento do dólar e melhoria do nível da competitividade das exportações — até o recrudescimento de uma política protecionista. No tocante ao “afrouxamento” da política monetária, pairam dúvidas quanto à sua eficácia, tendo em vista a existência de retardos (queda de 1 por cento da taxa de juros afeta o produto em cerca de 0,06 por cento, num prazo de pelo menos 1 trimestre), e quanto ao risco de pressões inflacionárias. É motivo de grande inquietação, especialmente para os países em desenvolvimento, o despontar de pressões que venham a levar os governos dos países industrializados, especialmente os Estados Unidos, a lançarem mão de medidas protecionistas. No caso americano, esse receio é mais fundado, uma vez que US$35 bilhões de déficit comercial acarretam uma queda do produto em cerca de 1 por cento e traduzem redução do nível de emprego da ordem de 700.000 vagas.

A adoção de políticas protecionistas por parte dos Estados Unidos poderia representar um elemento desestabilizador no processo de recuperação que está a beneficiar os países em desenvolvimento, quase todos eles às voltas com programas de ajustamento celebrados no âmbito do Fundo. Conforme acentua o trabalho do Struckmeyer, a melhoria da performance dos países em desenvolvimento não produtores de petróleo deveu-se, quase que exclusivamente, às exportações. Nesse ponto, o caso brasileiro é digno de ser destacado. O crescimento das exportações brasileiras de produtos manufaturados foi preponderantemente explicado pela melhoria significativa do mercado americano — os mercados do Terceiro Mundo praticamente deixaram de existir. O ajuste da economia brasileira foi feito numa velocidade sem precedentes — superávit comercial de US$6,5 bilhões em 1983 e US$13 bilhões em 1984; a participação da poupança externa (déficit em transações correntes) evoluiu de 5,5 por cento do produto interno bruto (PIB) em 1982 para 1 por cento, ou menos, em 1984 (o programa do Fundo previa atingir essa meta apenas em 1985).

O malogro ou, quando muito, uma redução do ritmo de recuperação dos países em desenvolvimento poderia representar um custo demasiadamente elevado, em face das fortes pressões sociais presentes em quase todos eles. O sucesso do ajustamento promovido pelo Brasil tem, como contrapartida, uma redução da renda per capita, entre 1980 e 1983, de aproximadamente 12 porcento, considerando que se trata de um país que já tem cerca de 30 por cento de sua população vivendo em condições de pobreza absoluta. A queda do emprego industrial não foi inferior a 23 por cento, entre 1980 e Março de 1984; os investimentos privados atingiram os níveis mais baixos nos últimos 30 anos, e a diferença entre o PIB registado e o PIB potencial foi estimada, pelo Banco Mundial, em 24 por cento em 1984, equivalente a US$63 bilhões.

A redução drástica das trocas entre os países em desenvolvimento, assolados por uma crise de liquidez sem precedentes nos últimos 30 anos, trouxe como corolário um redirecionamento do comércio mundial. Ademais, vinha-se observando, desde o primeiro “choque” do petróleo, uma alteração, cada vez mais pronunciada, na composição do fluxo de capital dos países industrializados em direção aos países em desenvolvimento. Registava-se, de forma crescente, uma substituição do investimento direto (capital de risco) pelo ingresso de capital financeiro, proveniente, em larga escala, dos bancos privados. Essa tendência, em período recente, deve modificar-se pelo aumento dos aportes de recursos oficiais, originários de instituições financeiras internacionais do tipo Banco Mundial, Fundo, etc. Essas novas realidades, de qualquer forma, ampliaram a vulnerabilidade dos países em desenvolvimento, sobretudo os do mundo ocidental, a “choques” externos, em razão de sua crescente subordinação aos eventos de política econômica, especialmente no âmbito dos países industrializados.

Essa dependência, sublinhada anteriormente, age no sentido de subtrair cada vez mais aos países em desenvolvimento a autonomia da escolha de seus próprios caminhos. O manejo da política econômica doméstica passou a incorporar fortes elementos de incerteza, visto que os rumos assumidos pela economia passaram a ser função, em larga medida, do comportamento de variáveis externas. Essa nova realidade encerra factores de inquietação nada desprezíveis. Um deles confronta, de um lado, a permanente preocupação dos países industrializados com o combate à inflação; e, de outro, a necessidade dos países em desenvolvimento de expandirem a sua capacidade produtiva, de modo a absorverem os crescentes contingentes de mão-deobra que se apresentam ao mercado de trabalho, a cada ano. Pelo menos a curto prazo esses objetivos são antagónicos — a recuperação dos países em desenvolvimento e o equacionamento satisfatório do seu endividamento externo não se concretizarão sem uma harmonização adequada dos objetivos de política econômia das partes envolvidas.

O caso brasileiro ilustra de forma convincente o argumento anterior, relativo à evidente sensibilidade das principais variáveis macroeconómicas domésticas perante os cenários externos. Essa análise de sensibilidade tem sido feita através do emprego de um modelo de projeções de variáveis macroeconómicas do tipo Two-Steps Model. O exercício consiste em simular cenários alternativos, tanto para a economia mundial quanto para a doméstica, e projetar, com base nesses cenários, o balanço de pagamentos do país. O modelo permite uma variedade considerável de combinações de cenários e “saídas.” Porém, para a aplicação presente, selecionaram-se apenas 5 variáveis: sendo 3 externas — LIBOR (taxa interbancária oferecida em Londres) (6 meses), crescimento do comércio mundial e crescimento real dos preços do petróleo; e 2 domésticas — desvalorização real da taxa de câmbio e crescimento do produto industrial. Como “saída,” elegeu-se o stock da dívida externa no final de 1991; essa escolha levou em consideração apenas o objetivo de simplificação. A tabela registra os cenários básicos traçados para essas variáveis, que não diferem muito das expectativas do trabalho do Struckmeyer, e cinco simulações efetuadas a partir desse cenário básico. As simulações consistiram em elevar em 1 por cento (um ponto percentual) a taxa da LIBOR (6 meses), reduzirem 1 por cento o crescimento do comércio mundial e considerar estável a evolução dos preços reais do petróleo. No plano doméstico, admitir uma desvalorização real da taxa de câmbio da ordem de 3 por cento e aceitar uma expansão do produto industrial de 1 por cento acima do previsto na simulação básica.

O exercício exibe, de forma nítida, que a sensibilidade da economia brasileira aos cenários externos é indiscutível. Os resultados da simulação revelam que 1 por cento a mais na LIBOR (6 meses) resultaria numa dívida adicional de US$6,2 bilhões; uma expansão de 1 por cento a menos do comércio mundial acarretaria cerca de US$9,5 bilhões a mais de dívida; e a estabilidade dos preços reais do petróleo refletiria uma redução da dívida de US$2,6 bilhões. Com respeito a esse último resultado, deve salientar-se que o país está cada vez menos vulnerável a “choques” de preços do petróleo (a evolução da produção doméstica, para efeito do exercício, é ainda considerada conservadora). Do lado das variáveis domésticas, a desvalorização real da taxa de câmbio de 3 por cento acima da paridade tem efeitos ponderáveis e espelharia uma redução da dívida de US$17,7 bilhões; a hipótese de admitir-se uma expansão do produto industrial de 1 por cento acima da simulação básica resultaria num endividamento adicional de US$15,7 bilhões. O emprego da desvalorização real da taxa de câmbio, no caso da economia brasileira, tem contra-indicações importantes; a maior delas é a sua pesada influência sobre a taxa da inflação, porquanto o sistema de indexação propagaria e ampliaria o seu efeito.

A ilustração anterior almeja deixar patente a estreita dependência que guarda a recuperação dos países em desenvolvimento das perspectivas das economias dos países industrializados. No caso da economia brasileira, uma trajetória decrescimento equivalente a 5,7 por cento ao ano, no período 1986/91, será suficiente apenas para restaurar o nível de renda per capita vigente em 1980. Nesse sentido, qualquer alteração desfavorável que se verificar nos cenários construídos para as economias dos países industrializados, para os próximos anos, abortará tal objetivo — sob todos os aspectos ainda muito modesto.

Quadro 1.Cenários e Simulações, 1985–91
Descrição1985198619871988198919901991
Simulação Básica
LIBOR (6 meses)11,59,59,59,59,59,59,5
Crescimento do comércio mundial3,82,53,73,73,73,33,3
Desvalorização real da taxa de câmbio5,50,00,00,00,00,00,0
Crescimento real dos preços do petróleo(−5,5)2,02,02,02,02,02,0
Crescimento do produto industrial4,85,75,75,75,75,75,7
Stock da dívida externa105,9107,8109,7111,4113,7116,6120,9
Simulações Alternativas
LIBOR (6 meses)10,510,510,510,510,510,5
Stock da dívida externa108,5111,2113,9117,3121,4127,1
Crescimento do comércio mundial1,52,72,72,32,32,3
Stock da dívida externa108,1110,5113,4117,4122,8130,4
Desvalorização real da taxa de câmbio3,03,03,03,03,03,0
Stock da dívida externa107,3108,1107,9107,1105,4103,2
Crescimento real dos preços do petróleo0,00,00,00,00,00,0
Stock da dívida externa107,7109,4110,9112,8115,1118,3
Crescimento do produto industrial6,76,76,76,76,76,7
Stock da dívida externa108,2111,1114,7119,7126,6136,6

Como observação final, não poderíamos deixar de sancionar as recomendações do trabalho do Struckmeyer, que advoga um esforço na direcção de fomentar ainda mais a cooperação internacional no campo financeiro e comercial e, sobretudo, na tentativa de harmonizar as linhas básicas da política econômica, especialmente dos países industrializados. Acrescentaríamos às sugestões alinhadas uma outra, no sentido de se desenvolverem esforços especiais, talvez no âmbito do Fundo, com o escopo de aperfeiçoamento dos métodos de previsão, para proporcionar, particularmente aos países em desenvolvimento, referenciais mais claros que lhes permitam traçar, com mais segurança, as suas linhas básicas de política econômica.

Fundo Monetário Internacional, Summary Proceedings of the Thirty-Ninth Annual Meeting of the Board of Governors, September 24-27, 1984 (Washington, 1984).

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