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Anexo B. Análise Quantitativa

Author(s):
International Monetary Fund. Independent Evaluation Office
Published Date:
April 2007
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1. Este anexo amplia e aprofunda a análise empírica apresentada nos Capítulos IIA e IIB do relatório principal. Ele aborda alguns desenvolvimentos ao longo do tempo, e fornece dados adicionais sobre as variações entre países com forte desempenho e desempenho fraco; entre os programas apoiados pelo PRGF e pelo ESAF na África Subsariana (PRGF AS e ESAF AS); e entre os programas na AS e noutras regiões (PRGF excl. AS e ESAF excl. AS). A Secção I apresenta as conclusões. A Secção II trata dos dados fundamentais e da metodologia.

I. Conclusões

2. Esta secção está estruturada da seguinte forma. A parte A aborda as tendências das previsões da ajuda nos programas. A parte B examina as tendências de concepção dos programas no que respeita aos défices fiscal e da balança corrente. A parte C termina com uma análise da relação entre a ajuda programada e os défices fiscal e da balança corrente programados.

A. Previsões da Ajuda no PRGF

3. As projecções da ajuda nos PRGF da África Subsariana para o primeiro ano do programa foram ligeiramente optimistas (ver parágrafos 28-29 do texto principal). Os níveis efectivos da ajuda na AS, incluindo o alívio da dívida, ficaram aquém das previsões da ajuda para o primeiro ano do programa (T0) (ver painel B do Gráfico B1).22 Uma das razões para isso poderá ser o optimismo excessivo referente ao momento do alívio da dívida, uma vez que a ajuda em T0, sem contar o alívio da dívida e as acções relacionadas, não parece estar sistematicamente sobrestimada. A ajuda no primeiro ano do programa para os países de outras regiões também não está sobrestimada.

Gráfico B1.Níveis de ajuda projectados e efectivos nos programas da África Subsariana

Observações: PRGF 26, ESAF da AS 23; Filtro: erro inicial < 1, erro máximo 20 por cento do PIB

4. No entanto, o FMI fez uma subprevisão dos influxos de ajuda de médio prazo nos PRGF da África Subsariana (ver parágrafo 30 do texto principal), uma observação que se aplica para a ajuda com ou sem alívio da dívida (ver painel B do Gráfico B1).

5. Os ESAF e os PRGF anteciparam de forma consistente o declínio de médio prazo dos fluxos de ajuda.(Tabela A e B do Gráfico B1). No entanto, durante o período de vigência do PRGF, a média efectiva de fluxos de ajuda (ou previsões actualizadas) para os países da África Subsariana com programas, nos três anos subsequentes ao primeiro ano do programa, acabou por ser consideravelmente mais elevada do que o previsto.23 Tal não foi o caso para a ajuda que incluía o alívio da dívida no decorrer dos ESAF.

6. A subprevisão de médio prazo da ajuda não foi observada fora da África Subsariana. O Gráfico B2 mostra que noutras regiões, os resultados médios seguiram mais de perto as projecções do PRGF para os anos mais remotos.24

Gráfico B2.Níveis de ajuda projectados e efetivos na África Subsariana e Outras Regiões

7. A concepção de programas do FMI parece ter-se posto em dia com a crescente persistência de fluxos de ajuda para a África Subsariana ao reduzir o declínio projectado nos últimos anos. O Gráfico B3 revela as variações médias anuais entre os níveis de ajuda que foram previstos para o primeiro ano do programa e para passados dois anos. Este gráfico mostra o desenvolvimento ao longo do tempo da média geral e de dois grupos de países que se distinguiram pelo desempenho macroeconómico.25 Como fica exposto, o declínio a médio prazo da ajuda projectada decresceu ao longo do tempo, especialmente em programas de países com bom desempenho macroeconómico.

Gráfico B3.Tendências na Projecção da Persistência de Fluxos de Ajuda para a AS

186 observações distribuídas ao longo de todo o período, Filtro: Ajuda>0 por cento

B. Concepção dos Programas

8. Esta secção aborda os défices fiscal e da balança corrente projectados. A discussão sobre o défice fiscal é ulteriormente desagregada em despesa pública projectada e geração de receita interna. Para cada uma destas dimensões são abordados os desenvolvimentos ao longo do tempo, assim como, de que forma os resultados se relacionam com a concepção do programa.

(i) Balança corrente

9. O Fundo tornou-se mais flexível no que respeita a ajustamentos na balança corrente. O Gráfico B4 mostra a variação média projectada na balança corrente excl. ajuda no decorrer do primeiro ano do programa na África Subsariana. Embora nos ESAF iniciais fossem comuns os ajustamentos acentuados do défice da balança corrente no primeiro ano do programa, a média de ajustamentos nos PRGF tem-se situado em torno de zero.

Gráfico B4.Ajustamentos projectados da balança corrente na África Subsariana

305 observações distribuídas ao longo de todo o período, Filtro: abs (ΔCC[T0–T-1])<20 por cento

10. O PRGF típico da África Subsariana previa uma consolidação a médio prazo do défice da balança corrente excl. ajuda. No entanto, o Gráfico B5 mostra que, a médio prazo, os défices da balança corrente constatados eram em média maiores do que o projectado—financiados pelos já mencionados influxos de ajuda mais elevados do que o previsto.

Gráfico B5.Défices médios da Balança Corrente em Programas PRGF na África Subsariana

34 observações Filtros: erro inicial <2 por cento, erro máximo <20 por cento

(ii) Saldo Fiscal

11. Os PRGF da África Subsariana—em contraste com os ESAF—permitiam aumentos nas despesas no primeiro ano do programa. O Gráfico B6 mostra que a variação projectada das despesas26 entre o primeiro ano do programa e o ano anterior deslocou-se no sentido ascendente, de um restringimento nos primeiros anos do ESAF para uma acomodação do aumento das despesas no decorrer do PRGF.

Gráfico B6.Ajustamento Projectado da Despesa na África Subsariana

223 observações distribuídas ao longo de todo o período

12. Mas tal como os ESAF, os PRGF da África Subsariana previam a consolidação das despesas a médio prazo (ver Gráfico B7). No entanto, os resultados mostram que esta consolidação não se materializou, com as despesas, pelo contrário, a aumentarem. Esta variação entre as despesas projectadas e as despesas efectivas de médio prazo foi mais uma vez financiada por níveis de ajuda mais elevados do que o previsto.

Gráfico B7.Despesas Projectadas e Efectivas nos ESAF e nos PRGF da África Subsariana

13. A mobilização programada de receitas internas nos PRGF da África Subsariana foi simultaneamente mais ambiciosa e mais bem sucedida do que nos ESAF (ver o segundo painel no Gráfico B7). O programa médio apoiado pelo PRGF na África Subsariana previa um aumento de 2 por cento das receitas como uma fracção do PIB ao longo de um período de quatro anos. Os ESAF, pelo contrário, projectaram as receitas internas para que, em grande medida, estas acompanhassem a evolução do PIB. Em termos de resultados, os programas do PRGF geraram mais receitas do que os do ESAF.

14. Em média, os PGRF na África Subsariana previam ligeiros aumentos no défice fiscal primário, antes das doações, no primeiro ano do programa. Como é mostrado no Gráfico B8, alguma expansão fiscal durante o primeiro ano do programa foi permitida nos PGRF, mas tal expansão foi rara durante o período de vigência do ESAF.

Gráfico B8.Ajustamentos Fiscais Programados na África Subsariana

296 observações distribuídas ao longo de todo o período, Filtro: abs(ΔFD[T0–T-1])<20 por cento

C. Utilização Programada dos Aumentos da Ajuda

15. Esta secção analisa a correlação entre os aumentos de ajuda previstos, abordados na parte A, e as variações no défice da balança corrente excl. ajuda e no défice fiscal excl. ajuda abordadas na secção B. Primeiro apresenta o quadro conceptual fundamental e depois analisa as conclusões.

(i) Quadro Conceptual: cálculo dos rácios de “Gasto” e “Absorção”

16. Esta secção baseia-se no quadro analítico de “gasto e absorção de aumentos de ajuda” sugerido por Berg et al.27 e discutido na Caixa 2 do relatório principal. A análise parte do pressuposto que de uma perspectiva da Balança de Pagamentos(BdP) em que os fluxos de capital líquidos excl. ajuda sejam zero, os aumentos de ajuda poderão ser usados tanto para (a) ampliar o défice da balança corrente antes de doações e juros (na linguagem do FMI, chama-se a isto “absorção” da ajuda); ou (b) aumentar as reservas reais. De uma perspectiva fiscal, em que os fluxos de capital líquidos excl. ajuda sejam zero, os recursos adicionais recebidos na forma de um aumento de ajuda poderão ser utilizados tanto para (a) ampliar o défice fiscal primário antes de doações (na linguagem do FMI, isto é chamado “gasto” da ajuda); ou (b) substituir o financiamento interno líquido.

17. A variação entre a ajuda despendida e a ajuda absorvida determinou a resposta prevista da parte do sector privado aos aumentos de ajuda. Se o défice fiscal se deslocar em sintonia com o défice da balança corrente, o aumento da procura fiscal é compensado pelo aumento das importações líquidas. Se o alargamento do défice fiscal exceder o do défice da balança corrente e a oferta agregada for fixa, isto conduz ao efeito de crowding-out do sector privado. Da mesma forma, um défice fiscal que aumente menos que o défice da balança corrente possibilita o efeito de crowding-in ou, se a procura interna for excessiva, permite a desinflação ao colmatar a brecha entre a procura agregada e a oferta agregada.

18. Uma série de regressões produziu estimativas do gasto e absorção médios programados dos aumentos da ajuda nos PRGF da África Subsariana. Para ilustrar a metodologia, o Gráfico B9 apresenta os ajustamentos28 fiscais e da balança corrente projectados face a aumentos previstos de ajuda. As observações são deduzidas das solicitações de acordo e revisões dos programas PRGF entre 1999 e 2005 para todos os países da AS. As regressões sobre estes dados com constantes suprimidas produziram estimativas do declive das respostas fiscais e da balança corrente aos aumentos de ajuda (Tabela B1).29 Estes são a base das estimativas de absorção e gasto da ajuda incremental, respectivamente, utilizadas ao longo deste relatório.30 As estimativas da proporção de ajuda incremental utilizada para reduzir a dívida interna são deduzidas da variação entre gasto e absorção, e a acumulação de reservas é estimada da variação entre a absorção e o aumento de ajuda.

Gráfico B9.Derivação de Estimativas para Despesa e Absorção de Ajuda Prevista nos PRGF da AS

Tabela B1.Regressões: modelo base: PRGF da AS
SemrestriçõesConstante Suprimida
Défice

da

Balança

Corrente
Défice

Fiscal
Défice

da

Balança

Corrente
Défice

Fiscal
Ajuda Delta0,503

(0,086)+
0,137

(0,237)
0,635

(0,004)**
0,266

(0,003)**
Ajuda Delta0,503

(0,086)+
0,137

(0,237)
Constante0,601 (0,504)0,586 (0,104)
Observações65656565
Valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significative-aos 5%; ** significativo a 1%, Filtro: 0 < ΔAjudaf T0-T-1] < 10%

(i) Conclusões

19. Tal como foi descrito no parágrafo 15 do texto principal, os níveis iniciais de reservas foram um factor chave a provocar as variações na absorção programada dos aumentos de ajuda nos PRGF da África Subsariana. O Gráfico B10, em baixo, mostra que previa-se que os países com níveis de reservas abaixo de 2,5 meses de importações usassem a quase totalidade dos aumentos esperados de ajuda (95 por cento em média31) para aumentar os níveis das reservas. Por outro lado, os programas para países com stocks de reservas iniciais mais elevados possibilitaram a utilização total dos recursos adicionais para aumentar as importações líquidas.

Gráfico B10.Gasto e Absorção nos PRGF: importância das condições iniciais

Os coeficientes da primeira regressão apresentados na Tabela B2 mostram que esta variação advém de diferenças em ambos os ajustamentos que eram independentes de variações na ajuda, e de uma resposta mais pronunciada aos aumentos de ajuda nos países com reservas mais elevadas. Isto resulta numa diferença significativa entre os dois grupos de países dependendo do nível de reservas no modelo com restrições.

Tabela B2.Regressões: PRGF na AS: importância das condições iniciais
Todos os níveis de reservasReservas elevadas
DéficedaDéficedaDéficeDéfice
BalançaBalançaFiscalFiscal
CorrenteCorrente
Ajuda Delta0,3230,0540,0960,147
(0,501)(0,868)(0,631)(0,240)
Termo de0,4160,945
interacçãode reservas elevadas(0,484)(0,027)*
Termo de0,4880,645
interacçãode inflação baixa(0,279)(0,023)*
Dummy de2,442
reservas elevadas(0,221)
Dummy de inflação0,09
baixa(0,938)
Constante-1,3140,323
(0,442)(0,739)
Observações65654646
Valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significativo aos 5%; ** significativo a 1%, Filtro: 0 < ΔAjuda[T0–T-1] < 10%
Nota: Os limiares são reservas de 2,5 meses de importações e inflação de 5 por cento

20. Como foi descrito no parágrafo 18 do texto principal, os níveis iniciais de inflação foram determinantes chave da abordagem adoptada nos programas PRGF da África Subsariana relativamente ao uso da ajuda incremental. O Gráfico B10 mostra que a inflação observada antes do início de um programa influenciou a despesa média programada para países com reservas elevadas. Aos países com níveis de inflação abaixo de 5 por cento32 foi permitido gastar a quase totalidade dos aumentos previstos de ajuda (79 por cento em média33), enquanto previa-se que os países com inflação mais alta utilizassem a quase totalidade da ajuda incremental (85 por cento em média34) para reduzir o financiamento interno.

21. Os critérios tradicionalmente utilizados para identificar “países em fase avançada de estabilização” tiveram um impacto significativo sobre o gasto programado dos aumentos de ajuda, mas não sobre a sua absorção. Os programas em países com condições iniciais de inflação de um só dígito, crescimento positivo, e financiamento interno abaixo de 1 por cento do PIB prevêem em média aumentos do gasto de cerca de metade dos aumentos previstos da ajuda. Isto compara-se com praticamente nenhum gasto dos aumentos incrementais de ajuda (17 por cento em média35) em países que não reúnem estas condições (ver Gráfico B11).

Gráfico B11.Gasto e Absorção na AS: o critério de desempenho, “Países em fase avançada de estabilização”1

Tabela B3.Regressões: AS: influência do desempenho
Défice

Fiscal
Défice

Fiscal
Ajuda Delta0,2280,173
(0,119)(0,086)+
Interacção-0,0280,319
do desempenho(0,907)(0,087)+
Dummy do1,355
desempenho(0,059)+
Constante-0,273

(0,612)
(0,612)
Observações6565
Valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significative) aos 5%; ** significativo a 1%, Filtro: 0 < ΔAjudaf T0-T-1] < 10%

22. Existiram poucas diferenças entre o gasto e a absorção médios programados dos aumentos da ajuda nos ESAF e nos PRGF da África Subsariana. A constante negativa e o coeficiente positivo da dummy do PRGF na Tabela B4 sugerem que verificou-se uma mudança entre o ajustamentos fiscais acentuados independente dos influxos previstos da ajuda, no caso dos ESAF, e o uso mínimo de tal ajustamento nos PRGF. No entanto, as diferenças na resposta programada aos aumentos da ajuda mitigam esta mudança, verificando-se apenas ligeiras variações entre os ESAF e os PRGF no gasto médio programado (ver Gráfico B12).36 Entretanto, não há diferença significativa na absorção da ajuda entre os ESAF e os PRGF.

Gráfico B12.Despesa e Absorção na África Subsariana: ESAF vs. PRGF

Tabela B4.Regressões: AS: ESAF vs. PRGF
Diferenças entre os

ESAF e os PRGF em

termos de gasto
Défice

Fiscal
Défice

Fiscal
Ajuda Delta0,7110,234
(0,005)**(0,132)
Interacção-0,5740,032
com o PRGF(0,036)*(0,858)
Dummy do1,97
PRGF(0,004)**
Constante-1,384

(0,016)*
Observações102102
Valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significativo aos 5%; ** significativo a 1%, Filtro: 0 < ΔAjuda[T0-T-1] < 10%

23. O programa médio fora da AS utilizou uma proporção menor de aumentos de ajuda para reduzir a dívida interna e/ou para efeitos de desinflação do que o seu equivalente na AS. Nos PRGF fora da AS, os ajustamentos médios mais rigorosos nos défices fiscal e da balança corrente, independentes da ajuda, são mais do que contrabalançados por uma maior receptividade aos aumentos da ajuda.37 Tal como é representado no Gráfico B13, estas diferenças conduzem a um ligeiro acréscimo do gasto médio e menor absorção média em países de outras regiões do que na AS.

Gráfico B13.Despesa e Absorção nos PRGF: África Subsariana vs. Outras Regiões

Tabela B5.Regressões: PRGF: AS vs. Outr. Regiões
Défice da Balança

Corrente
Défice

Fiscal
Ajuda Delta1,0620,4880,5390,315
(0,024)*(0,164)(0,002)**(0,019)
Interacção-0,560,147-0,402-0,049
na AS(0,303)(0,718)(0,049)*(0,752)
Dummy da3,031,534
AS(0,056)+(0,010)*
Constante-2,43-0,947
(0,065)+(0,054)+
Observações93939393
valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significativo aos 5%; ** significativo a 1%, Filtro: 0 < δAjuda[T0-T-1] < 10%

24. As respostas programadas às reduções previstas da ajuda dependiam dos níveis iniciais de reservas, e foram assimétricas. Países com níveis iniciais de reservas muito elevados, em geral, podem financiar as reduções da ajuda para evitar o ajustamento fiscal, principalmente através do esgotamento das reservas (ver Tabela B6). Aqueles países com níveis iniciais de reservas muito baixos, pelo contrário, têm de suportar totalmente as reduções previstas da ajuda, na forma de ajustamentos fiscais e da balança corrente integrais. A resposta fiscal programada às reduções da ajuda não depende dos níveis de inflação.

Tabela B6.Regressões PRGF na AS: Aumentos vs. Reduções
Aumentos da ajudaReduçõesda ajuda
DéficeDéfice
daDéficedaDéfice
BalançaFiscalBalançaFiscal
CorrenteCorrente
Ajuda Delta0.5310.9281.045
(0.549)(0.038)*(0.003)**(0.000)**
Interacção com/1
- Níveisde0.150.005-0.073-0.125
reserva(0.201)(0.921)(0.099)+(0.000)**
- Inflação inicial-0.018-0.017-0.008-0.011
(0.354)(0.024)*(0.572)(0.276)
Observações93939393
valores p entre parênteses, + significativo aos 10%; * significativo aos 5%; ** significativoa 1%, Filtro: 0 < ΔAjuda[T0–T-1] < 10% /1Em contraste com outras tabelas, estes termos de interacção são baseadosem níveis e não na indicação do cumprimento dos limiares atravésde dummies.

25. Quase 80 por cento dos PRGF da África Subsariana limitavam a possibilidade das autoridades gastarem integralmente a ajuda extraordinária, ou de financiar na totalidade a insuficiência imprevista da ajuda. Como se pode ver no Gráfico B14, esta postura é semelhante à posição do Fundo em relação a variações imprevistas da ajuda em outras regiões.

Gráfico B14.Tratamento de influxos de ajuda imprevistos nos PRGF (em percentagem dos programas)

II. Metodologia e Dados

26. Esta secção aborda as definições de dados e a metodologia utilizada para deduzir os resultados apresentados no relatório de avaliação. A base de dados MONA, a fonte principal de dados utilizada na análise, teve uma interrupção nas séries em 2001. Todos os programas com início antes da interrupção em 2001, e ainda o PRGF de 2002 para a RDC, estão incluídos na MONA I. A MONA II, que tem um conjunto diferente de variáveis macroeconómicas, encerra todos os outros programas.

27. A variável representativa para os influxos da ajuda líquida foi deduzida a partir dos dados da balança de pagamentos (BdP) através da adição das variações nas obrigações para com os credores oficiais (desembolsos—amortização) nas transferências correntes e transferências de capital oficiais, deduzindo os pagamentos de juros externos e—quando aplicável—adicionando o défice de financiamento programado e os atrasados de pagamentos externos (Tabela B7).38 As variáveis “novo reescalonamento projectado” e “outro apoio à BdP” estavam muitas vezes indisponíveis na base de dados. Nestes casos, assumiu-se que o valor ou era zero ou era captado por algumas outras variáveis. Por esta razão, eles foram omitidos nos cálculos.

Tabela B7.Valores Aproximados para a “ajuda líquida” por PIB
MONA IMONA II
(Transferências Oficiais, líquidas(Transferências oficiais
+Outro Apoio à BdPcorrentes, líquidas
–Pagamentos de Juros Líquidos- Pagamentos de Juros
Programados+ Saldo da balança de capitais
+Endividamento Oficial junto a+ [Variações nas] Obrigações
credores multilaterais e bilateraispara com os credores oficiais
(excl. Fundo)– [das quais:] Crédito e
–Pagamentos de Capitalempréstimos do FMI (exclui a
Programados (excl. Fundo )posição das reservas no Fundo)
+Reescalonamento contratado+ Atrasados, variação líquida (na
antes do programabalança financeira) (+aumento)
+Novo Reescalonamento+ Défice de financiamento
Projectadoprogramado)
+Aumentos nos atrasados de/ PIB
pagamentos externos
+ Défice de financiamento
programado)
/ PIB

28. O défice fiscal excl. ajuda foi deduzido da diferença entre as despesas excluindo os pagamentos de juros e a receitas internas (Tabela B8). Um desafio na construção da variável foi a pobreza de dados sobre doações na MONA II. Quando não eram reportados quaisquer dados sobre doações, a rubrica da balança de pagamentos para transferências correntes oficiais e transferências de capital (conforme captada pelo saldo da balança de capitais apresentado) foi utilizada como proxy para as doações.

Tabela B8.Proxies do “Défice Fiscal excl. Ajuda” por PIB
MONA IMONA II
- Saldo fiscal incluindo(Total das despesas e crédito
doações (percentagem dolíquido
PIB)- Total das receitas e
+ Doações (percentagem dodoações
PIB)+Doações
- Pagamentos de juros- Pagamentos de juros)
(percentagem do PIB)/PIB

29. O défice da balança corrente excl. ajuda foi deduzido com base no saldo da balança corrente deduzidas as transferências correntes oficiais e os pagamentos de juros (Tabela B9). De todas as variáveis, esta apresentava a melhor disponibilidade de dados na MONA.

Tabela B9.Valores Aproximados para o “Défice da Balança Corrente excl. Ajuda” por PIB
MONA IMONA II
(-Balança corrente, excl.(-Saldo da balança corrente
- Pagamentos líquidos deoficiais (líquido)
juros) / PIB)- Pagamentos de juros) / PIB

30. A variável dummy ‘bom desempenho macroeconómico’ foi definida como 1 se no ano anterior ao programa (T-1) a inflação tivesse ficado abaixo dos 10 por cento, o crescimento real tivesse sido maior do que zero, e o financiamento interno tivesse sido igual ou inferior a 1 por cento do PIB. Todas as três variáveis foram deduzidas da base de dados MONA com o objectivo de capturar estimativas sobre o desempenho no ano anterior à data da concepção do programa. Enquanto as duas primeiras variáveis estavam prontamente disponíveis, o financiamento interno foi estimado subtraindo a variável representativa do financiamento externo (ajuda líquida) do défice fiscal excl. ajuda.

31. O primeiro ano do programa (T0) foi definido como o ano civil com a maior sobreposição com o ano efectivo de vigência do programa des de a solicitação de acordo do programa ou revisões subsequentes. Por exemplo, se o ano efectivo de um programa com condicionalidade que foi acordada numa revisão durou de Novembro de 2003 a Outubro de 2004, definiu-se que 2004 seria o primeiro ano do programa para efeito dessa revisão.

32. A MONA não está sujeito ao mesmo nível de escrutínio que as bases de dados do Fundo que são publicadas. Ela apresenta uma série de erros e inconsistências. Os erros mais óbvios—tais como a moeda de denominação trocada—foram corrigidos manualmente. Outros, tais como discrepâncias entre cifras efectivas apresentadas e zeros obviamente erróneos, levaram à omissão da observação. Até onde foi possível, algumas variáveis omitidas foram reconstruídas a partir de outras observações. Os erros que permaneceram presumiram-se como não sistemáticos e, assim, sem influência significativa sobre as conclusões à excepção de uma redução da sua robustez.

33. No sentido de assegurar a consistência, os programas e os resultados foram comparados dentro dos limites da base de dados MONA. Uma vez que as definições das variáveis na MONA I eram muito diferentes daquelas incluídas no World Economic Outlook ou em outras bases de dados, os valores projectados provenientes da MONA não foram comparados com as estimativas extraídas de outras bases de dados. Em vez disso, os dados provenientes da solicitação do programa foram comparados com os dados da última revisão disponível para os anos respectivos. Esta abordagem minimizou erros resultantes de diferenças nas definições de dados.

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